Pressão, pedido e “tempo”: os bastidores da suspensão do acordo entre Santos e Robinho

Por Bruno Giufrida e Martin Fernandez — São Paulo

A “última pedalada”, como o próprio Santos definiu ao anunciar Robinho, pode ter durado menos de uma semana.

Exatamente seis dias depois de anunciar o retorno de Robinho para sua quarta passagem pela Vila Belmiro, o Santos avisou, nesta sexta-feira, que suspendeu o contrato do atacante de 36 anos “para que o jogador possa se concentrar exclusivamente na sua defesa no processo que corre na Itália”.

Por trás de uma curta nota oficial, muita pressão, um pedido do próprio atleta e apenas um “tempo”.

A sexta-feira na Vila Belmiro foi agitada. A publicação no ge da reportagem “As gravações do caso Robinho na justiça italiana: “A mulher estava completamente bêbada””, que revelou grampos e trechos do processo em que Robinho foi condenado em primeira instância por violência sexual na Itália, caiu como uma bomba no Santos.

Robinho treinou no Santos durante a semana — Foto: Ivan Storti/Santos FC

Robinho treinou no Santos durante a semana — Foto: Ivan Storti/Santos FC

Internamente, o clube, que sabia da condenação, mas não de detalhes do processo, passou a discutir o futuro de Robinho. Sem reuniões presenciais, dirigentes conversaram durante todo o dia para decidir o melhor caminho a seguir.

Enquanto isso, a pressão externa aumentava. Nas redes sociais, torcedores e torcedoras respondiam a publicações dos perfis oficiais do Santos pedindo a rescisão contratual de Robinho. No Conselho Deliberativo, a aprovação do contrato em reunião que será realizada no próximo dia 21 passou a ser debatida.

Patrocinadores, responsáveis por várias das fontes de renda do Santos, passaram a cobrar, também, a rescisão contratual de Robinho. A pressão, então, passou a “doer” no bolso do Peixe, que, em crise financeira, viu-se contra a parede diante de ameaças. Internamente, o clube não via a possibilidade de se dar ao “luxo” de perder patrocinadores.