EX-CANDIDATO ENVIA ÁUDIOS COM OFENSAS RACISTAS E AMEAÇA: ‘MANDO CORTAR NA BALA’

O ex-candidato à Prefeitura de Téofilo Otoni, no Vale do Mucuri, Roque Saldanha (PMB), é acusado de racismo após enviar áudio com diversas ofensas em grupos políticos no WhatsApp. Apesar de se declarar pardo à Justiça Eleitoral e se dizer “descendente de preto e moreno mais claro” nos áudios, aos quais a reportagem teve acesso, o locutor chamou um interlocutor de “negro ensebado de senzala”, “macaco” e “urubu”, além de várias outras ofensas de cunho racista, e disse que a vítima do racismo poderia ir à delegacia se quiser e gabou-se da impunidade. “Vai lá na delegacia. Quem está falando sou eu aqui, delegado, é Roque Saldanha, pra mim chamar esse preto de ‘imundo’ dentro da delegacia e qualquer coisa mandar arregaçar ele. Pôr dois jagunços atrás dele, eu boto logo é dois, três. E quem tá falando é eu, vai lá, juiz, promotor. Conversa com eles, aqui é Roque Saldanha, meu caro. Locutor, apresentador e um simples homem da roça que raspa o dedo, manda matar e não dá porra nenhuma. Doido é quem mexe comigo, rapaz (sic)”, disse o ex-candidato.

O postulante, que ficou em quarto lugar no pleito municipal de 2020 entre cinco concorrentes, com 1,87% dos votos na cidade, afirmou em áudio que deve ter quase 50 processos e não teria problemas em inteirar cem ou 200, e continuou com os insultos racistas.

“Sabe por causa de quê? Por causa de um vagabundo igual a você, é um negro vagabundo, safado, imundo, urubu de grupo, você já viu sua cor no espelho? Eu sou descendente de preto, seu negro ensebado. Mas eu honro a minha cor (sic)”, completou, entre várias outras ofensas.

Saldanha lembrou da vez que atirou em um irmão de policial e respondeu a um processo no Espírito Santo. Segundo apuração no Tribunal de Justiça capixaba, o processo dele foi extinto após a prescrição do crime. Inicialmente, ele foi condenado a seis meses. Durante a campanha para vereador em 2016, ele foi preso após fazer um disparo de arma de fogo em uma rua de Teófilo Otoni e desobedecer a uma ordem policial de soltar o armamento. Pelos crimes, ele foi condenado a dois anos de reclusão em regime aberto, mas a pena foi convertida em prestação pecuniária.

Procurado pela coluna, Saldanha repetiu várias das ofensas racistas, minimizando as falas e amplou as ameaças, afirmando que “manda fuzilar mesmo e vai pro inferno quem tiver de ir”. Ele também fez ataques ao Poder Judiciário. “Com todo respeito ao cidadão de bem, com todo respeito às autoridades, eu não estou aqui para desafiar as autoridades, pelo contrário. As autoridades que andam me desafiando, que às vezes eles querem passar a mão na cabeça de pilantras, de vagabundos, safados, corruptos e às vezes até de bandido. Não estou falando que todo Judiciário é assim, mas tem pessoas de dentro do Judiciário que não servem pra ser nem faxineiro e são juízes, e são promotores e alguns até mesmo desembargadores. Estão entendendo? Então eu sou um cara justo, sou um cara honesto, sou uma pessoa de Deus. E pilantra comigo é na pancada e é na bala mesmo (sic)”, afirmou.

“E sobre esse negócio de racista, um ‘preto desgraçado’ que mexeu comigo em Governador Valadares. É um pilantra, se eu encontrar com ele e tiver com um 30 (arma) na cintura, eu enfio ainda o cano do revólver dentro da boca dele e escovo os dentes dele com o cano de meu revólver porque é um ‘preto safado’, pilantra, imundo porque foi mexer com o cara errado. Eu sou descendente de preto, mas eu sou um preto homem. Quero deixar claro pra vocês aí do jornal O TEMPO, que eu não sou racista, eu sou honesto. Tá lotado de preto safado e de branco safado. Então, não vem com esse negócio de racista, blá-blá-blá pra cima de mim (sic)”, afirmou.

Ainda fazendo ameaças, o ex-candidato afirmou que, se tiver a certeza de que algum adversário político vai armar contra ele e ele sair prejudicado, vai “cortar na bala mesmo e mandar matar”. “Tenho jagunços e pistoleiros à minha disposição. Eu sou do lado da justiça, sou do lado da lei, mas do lado do que é certo. Agora não vem vagabundo que é juiz, que é pilantra, vir com blá-blá-blá, porque nós corta eles na bala saindo do restaurante, saindo da fazenda, das estradas de roça, da igreja, da missa, e não quero saber. O melhor é não mexer com Roque Saldanha. Deixa eu no meu lugar quieto que eu sou um homem honesto, um homem justo e acima do direito e acima da razão (sic)”, finalizou.

O Código Penal estabelece que ofender alguém com base em sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência configura-se como crime de injúria racial. Uma eventual condenação a esse tipo prevê como pena a reclusão de um a seis meses ou multa. Informações: o Tempo