Sobrevivente, Rafael Henzel vive misto de sentimentos um ano após tragédia

Narrador de Chapecó considera momento difícil pelas perdas, mas celebra “aniversário” de um após ter resistido ao acidente aéreo que deixou 71 mortos: “Somos seis milagres”

 

virada do dia 28 para o dia 29 de novembro ficou marcada para sempre desde o ano passado: foi nessa madrugada, em 2016, que um trágico acidente com o avião da Chapecoense deixou 71 mortos. Um ano depois da tragédia, o jornalista Rafael Henzel vive um misto de sentimentos. Um dos seis sobreviventes, ele sofre com a lembrança da perda de amigos ao mesmo tempo em que celebra um ano de vida, como contou no “Redação SporTV”.

- Sem ser presunçoso, somos seis milagres. É uma data muito difícil para todos nós, mais para quem perdeu, obviamente, mas uma data muito feliz para mim particularmente e creio que para a vida dos sobreviventes também. Independentemente do que a gente sentiu durante o ano, (é dia) de comemorar o aniversário hoje, à 1h15. A gente sente muito por todos que se foram, e jamais serão esquecidos, mas tem que agradecer a essa bênção que nós tivemos de estar aqui com nossos amigos e familiares – disse.

“É algo surreal”, diz Henzel, sobre ter sobrevivido a acidente aéreo com a Chapecoense

Para Henzel, a semana tem sido de muitas homenagens, o que faz com que as lembranças fiquem ainda mais fortes. Ter resistido a um acidente tão grave, considerado algo “surreal”, traz a sensação de renascimento.

- É muito estranho para mim ver alguém falar do acidente porque me coloca de novo lá dentro. É diferente vendo outra pessoa falando sobre o acidente. A gente teve o Torino em 49, o Manchester, mas esse… da maneira como foi… 71 pessoas perderam a vida, e você estava lá dentro. É algo surreal, é surreal, eu e os meus cinco irmãos de morro, que nasceram e renasceram comigo lá – considerou.

Quatro brasileiros sobreviveram: os jogadores Neto, Rushel e Follmann, além do jornalista Rafael Henzel (Foto:  Buda Mendes/Getty Images)Quatro brasileiros sobreviveram: os jogadores Neto, Rushel e Follmann, além do jornalista Rafael Henzel (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

O narrador lembrou de amigos e colegas de profissão que estavam no avião e não resistiram, e mostrou solidariedade às famílias. Apesar da celebração, ele sabe que momentos difíceis virão, especialmente na madrugada que marcará um ano do acidente.

- É um dia difícil, um dia de reflexão, amanhã também, porém é um dia que a gente tem que passar, enfrentar, como a gente enfrentou tudo até agora na nossa vida – completou Henzel, que sofreu fraturas em sete costelas e no pé direito na queda da aeronave.

 

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