Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1

Este será o primeiro domingo (13) de funcionamento do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na área da Mata do Krambeck, no Bairro Santa Terezinha, em Juiz de Fora. Até 100 visitantes poderão entrar de 8h às 16h30 simultaneamente no local, que fica aberto até as 17h.

Pesquisa, ensino e extensão são os tripés que justificam e norteiam a existência de mais este equipamento administrado pela instituição na cidade. Este ponto foi amplamente repetido durante a inauguração na sexta-feira (12), pelo o reitor Marcus David, a pró-reitora Ana Lívia Coimbra e o diretor Gustavo Soldati.

Na prática, significa um espaço para estudos acadêmicos, para troca de conhecimentos, saberes e aprendizado de diferentes públicos e para se relacionar e ser apropriado pela comunidade de Juiz de Fora.

Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1

Mais que números, conhecimento

Nas obras já concluídas foram investidos, ao todo, R$ 23 milhões. Foram feitas obras para captação de água, redes sanitária e de energia para abertura adequada ao público, recuperação de áreas degradadas, como uma encosta com voçoroca, adequação de vias internas e outras ações de infraestrutura, inclusive entre as edificações existentes no local, que tem manutenção anual estimada entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões.

O reitor lembrou que o Jardim Botânico se une ao Cine-Theatro Central, Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) e o Centro de Ciências, todos administrados pela Universidade. Segundo ele, essa influência refuta os argumentos de quem considera “cara” a universidade pública e reforça a importância de que a forma de compartilhar conhecimento não deva ficar restrito ao limite da sala de aula.

A pró-reitora Ana Lívia Coimbra lembrou que 50 alunos de 11 cursos vão trabalhar como bolsistas no Jardim Botânico, orientando os visitantes. “É uma abertura responsável, calcada em um projeto pedagógico forte e que valoriza a relação da universidade com a sociedade. Desenvolvemos inúmeros projetos de pesquisa e disciplinas com trabalho de campo, a gente está produzido conhecimento inovador”.

Confira no vídeo abaixo um trecho da fala de Marcus David e uma entrevista com Ana Lívia sobre o investimento maior que financeiro motivado pelo Jardim Botânico.

Reitor e pró-reitora da UFJF destacam oportunidade de ensino oferecida no Jardim Botânico

Reitor e pró-reitora da UFJF destacam oportunidade de ensino oferecida no Jardim Botânico

Um espaço para conhecimento

Além do parque, o local possui Centro de Pesquisa, onde estão em fase de implementação sete laboratórios de estudos interdisciplinares, com capacidade para contemplar áreas como botânica, ecologia, zoologia e bioquímica.

O Laboratório Casa Sustentável desenvolvido pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFJF vai promover a conscientização do público sobre princípios de sustentabilidade, além de fornecer técnicas e estratégias construtivas de arquitetura bioclimática, conforto ambiental e eficiência energética.

Além do Setor Administrativo e do Bromeliário e Orquidário, também em implantação, o visitante pode conferir as três galerias de arte, com nove salas, na Casa Sede.

Estão em cartaz três exposições: uma linha do tempo sobre a história do local; a mostra “Aves da Mata do Krambeck no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora” de autoria do artista Raphael Dutra e “Entre Enigmas e Percursos”, onde 12 artistas convidados exibem intervenções fotográficas sobre fenômenos das paisagens do Jardim.Laboratório Casa Sustentável funciona dentro do Jardim Botânico da UFJF — Foto: Roberta Oliveira/G1Laboratório Casa Sustentável funciona dentro do Jardim Botânico da UFJF — Foto: Roberta Oliveira/G1

Os visitantes poderão escolher entre cinco roteiros temáticos para percorrer o parque com os estudantes, bolsistas ou sozinhos. Eles estão indicados com placas de cores diferentes espalhadas pelo espaço:

  • Grandes grupos vegetais;
  • Etnobotânica e diversidade;
  • Relações ecológicas;
  • Socioambientalistmo;
  • Mitos, heróis e heroínas.

“Os grandes grupos vegetais fala sobre a evolução das plantas; a etnobotânica, sobre a diversidade de plantas que aqui existe e os saberes populares construídos sobre elas. O terceiro, relações ecológicas, entendemos que a biodiversidade não é isolada, as plantas e espécies se relacionam”, explicou o diretor Gustavo Soldati.

“O socioambientalismo está em fase de finalização, não existe em outro jardim botânico, é fruto do projeto político-pedagógico de entender as relações entre sociedade e natureza do ponto de vista crítico e estruturante. E o ‘Mitos, heróis e heroínas’ são 10 contos do nosso próprio povo, do nosso cancioneiro popular, mitos fundadores pataxó, krenak, puri que são nações indígenas de Minas Gerais”, ressaltou.

Centro de Pesquisa do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1Centro de Pesquisa do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1

O diretor do Jardim Botânico afirmou ainda que os trabalhos de melhoria e aperfeiçoamento seguem em andamento mesmo após a abertura. “Agora, vamos instalar as espécies vivas, o Centro de Pesquisa e fortalecer e ampliar os programas de extensão. Uma preocupação nossa [é] de avançar na acessibilidade do Jardim Botânico para cadeirantes, pessoas com dificuldade de locomoção, cegos e surdos”, ressaltou.

No vídeo abaixo, Gustavo Soldati destaca a importância deste espaço para unir saberes acadêmicos e populares. A estudante do curso de Veterinária, Bianca Carvalho da Silva, reforça a expectativa de outros aprendizados constantes por trabalhar no Jardim Botânico.

Curiosidades

Construído dentro da Mata do Krambeck, um dos últimos grandes fragmentos de Mata Atlântica em área urbana do Brasil, o Jardim Botânico está na área antes do antigo Sítio Malícia, com 82,7 hectares de área preservada, equivalentes a 116 campos de futebol. Uma mobilização impediu que o local se tornasse um condomínio. O terreno foi adquirido em 2010 pela Universidade.

É um trecho de mata em regeneração há cerca de 80 anos, com reservas remanescentes do ecossistema da Mata Atlântica. Trata-se de um bioma que possui em torno de 20 mil espécies vegetais, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas, como o pau-brasil e o ipê-roxo.

Ruínas de local onde eram criados coelhos na antiga fazenda onde atualmente funciona o Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1Ruínas de local onde eram criados coelhos na antiga fazenda onde atualmente funciona o Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1

Segundo a UFJF, já foram registradas quatro espécies de serpente (como jararaca, cobra cipó, falsa coral e cobra d’água) e 10 espécies de mamíferos, sendo seis delas de roedores de pequeno porte. Também foram encontrados animais como cachorro-do-mato, lobo-guará, furão-grande, lontra, quati, gato-mourisco, bugio, mico-estrela, sauá, porquinho-da-Índia, capivara, paca e cutia.

No Jardim Botânico, estão abrigadas, pelo menos, 35 espécies de vespas sociais e 60 morfotipos de borboletas e mariposas.

Além de toda a infraestrutura, o visitante poderá conhecer as ruínas da antiga fazenda que existiu no local, inclusive um trecho onde antigamente era uma criação de coelhos. A direção decidiu preservá-los como parte do projeto pedagógico.

A expectativa da direção é disponibilizar em breve um aplicativo com todas as informações sobre o Jardim Botânico, mas os internautas podem conferir os perfis oficiais no Facebook e no Instagram.

E uma curiosidade: no vídeo abaixo o vice-diretor do Jardim Botânico, Breno Moreira, fala mais sobre a “Portea petropolitana”, uma espécie de bromélia que foi escolhida como a planta símbolo do Jardim Botânico.

O que pode e o que não pode no Jardim Botânico

Para que os visitantes desfrutem da permanência no local foi elaborado um guia de práticas sustentáveis, que a UFJF divulgou no site oficial. Confira as recomendações de segurança:

  • portar crachá ou uniforme escolar que identifiquem sua situação de visita;
  • portar e vestir artigos que aumentem sua proteção individual, como repelentes, calça, sapato fechado, chapéu e protetor solar;
  • caminhar apenas nos locais destinados à visitação;
  • não entrar nas matas, não se aproximar das bordas dos lagos e não se distanciar dos possíveis grupos de visitação ou monitores;

O local pode ser usado para o lazer contemplativo; piqueniques em local adequado; aproveitar o silêncio e os sons provenientes da floresta; usar o espaço público, respeitando o bem comum; fotografar ou filmar sem fins comerciais; para ensaios fotográficos serão divulgadas em breve orientações e agenda; recolher o lixo produzido durante a visitação.

Detalhe de um dos lagos do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1Detalhe de um dos lagos do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1

Condutas não permitidas:

  • sons eletrônicos, como os provenientes de celular;
  • portar bebida alcoólica;
  • visitantes em estado de embriaguez;
  • prática de esportes;
  • realização de churrascos;
  • praticar qualquer ato ofensivo ao patrimônio ou aos pares;
  • molestar, danificar, introduzir ou levar qualquer material biológico (plantas e animais);
  • vender ou oferecer artigos comerciais e de propaganda;
  • não é permitida a realização de cultos e manifestações religiosas;
  • entrada de animais de estimação, pets.

A rafia farnífera, a palmeira que possui a maior folha entre as espécies vegetais, é encontrada no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1A rafia farnífera, a palmeira que possui a maior folha entre as espécies vegetais, é encontrada no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — Foto: Roberta Oliveira/G1

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