Atlético Sorocaba viaja quatro vezes à nação mais fechada do mundo e leva até americano na delegação. Clube é confundido com seleção brasileira, fica sob vigilância e chega a temer vitória

 Histórias Incríveis: as aventuras e tensões de um time brasileiro na Coreia do NortePor Alexandre Alliatti, Emilio Botta e Gabriel Morelli, Sorocaba, SP

Não fosse a certeza de ter despertado minutos antes, Paulo Roberto apostaria que vivia um pesadelo. Fazia frio, a escuridão da madrugada se infiltrava nas primeiras horas da manhã, e ele vagava em agonia. Tentava recordar a rua de onde viera, mas as ruas eram todas iguais. Tentava pedir ajuda às pessoas, mas elas lhe escapavam, agiam como se ele fosse um espectro – uma assombração a ser evitada. As placas nada diziam, e não havia telefone, tampouco internet. A claustrofobia só crescia: quanto mais ele caminhava, mais desnorteado ficava. Era uma manhã de outubro de 2010, e o técnico do Atlético Sorocaba estava perdido na capital da Coreia do Norte.

O susto durou uma hora – até o treinador dar de cara com o acesso à encosta onde repousava o hotel que abrigava o clube do interior paulista em Pyongyang. Passados sete anos, Paulo Roberto classifica o episódio como um “panicozinho” e ri da situação, uma das muitas vividas por uma série de profissionais em excursões do time brasileiro ao país mais fechado do planeta, comandado por uma ditadura que desafia algumas das principais potências globais – sobretudo os Estados Unidos – com testes nucleares.

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